Uma guerra regional em perspectiva
De acordo com a BBC On Line, o Sudão anunciou o corte de relações diplomáticas com o Chade. Uma notícia preocupante, mas que não surpreende quem tenha estado atento à realidade que se vive naquela região desde 2003. Há muito que o regime de Cartum tem acusado o Chade de estar a apoiar os rebeldes pró-Janjaweed a operar no Darfur.
Depois de um ataque perpetrado num dos subúrbios de Cartum, o Presidente sudanês, Omar al-Bashir, foi à televisão estatal para informar que os responsáveis por aquele acto eram milícias do Chade e, como tal, impunha-se o corte de relações diplomáticas. Mas, o mais importante deste comunicado foi o facto de al-Bashir ter aludido ao direito de retaliar contra o país vizinho, potenciando um cenário de crise regional que já se adivinhava há bastante tempo.
Apesar do Chade ter rejeitado qualquer ligação a este ataque, dificilmente esta posição atenuará o clima de conflito iminente, porque os rebeldes liderados por Khalil Ibrahim, alegadamente uma facção do grupo JEM (com fortes ligações ao Governo do Chade), continuam a atacar posições nos arredores de Cartum. Convém também referir que o Governo do Chade acusa o Sudão de ter tentado elaborar um golpe de Estado para derrubar o Presidente Idriss Debby.
Num altura em que os esforços diplomáticos internacionais na procura de uma solução são praticamente inexistentes e que a força híbrida das Nações Unidas-União Africana no Darfur está muito aquém dos efectivos desejados, começam a estar reunidos todos os factores para a eclosão de um conflito regional entre Estados. Ao qual se juntará também a República Centro Africana (CAR), que tem acusado Cartum de estar a apoiar a União das Forças Democráticas para União (UFDR) a operar no norte do país. Perante este cenário, o Chade já fez saber que enviará forças para a CAR de modo a ajudar aquele país a combater os rebeldes da UFDR. Alexandre Guerra
